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Não é que ele não esteja satisfeito em ter abocanhado 3 estrelas Michelin, longe disso. É que Ivan Ralston se deparou com efeitos que considera negativos da inclusão do Tuju na lista dos restaurantes mais bem avaliados do livrinho vermelho. “Com as 3 estrelas, o período para conseguir uma reserva aumentou para três meses, o que afasta os nossos clientes regulares”, reclama. A clientela, em parte, também mudou. “Passamos a receber mais gente que está mais interessada em tirar fotos do que experimentar nossos pratos e que provavelmente nunca mais vão voltar”, informa. “Não são pessoas que acompanham o nosso trabalho”.
Ralston, por sinal, não engole o hábito que muita gente tem de tirar fotos e mais fotos de pratos antes da primeira garfada. “O grande ‘Deus’ da gastronomia é a temperatura”, defende. “Se você demora para comer, o que devia estar quente, esfria, e que estava frio, esquenta”.
O Tuju subiu de 2 para 3 estrelas, assim como o Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, em abril. O primeiro menu degustação lançado por Ralston com a cotação máximo é o ventania, que a Prior Society degustou nesta semana. Explica-se: o restaurante sempre lança quatro sequências anuais, chamadas de seca, umidade, ventania e chuva. São baseadas no índice pluviométrico de cada época do ano. Na visão do chef, é o que mais determina a sazonalidade dos ingredientes produzidos no estado de São Paulo.
Com dez etapas, mais o petit four, a experiência custa R$ 1.500 por pessoa, sem harmonização. A sequência em cartaz é marcada por maravilhas como marisco branco com caviar e coco; uma versão do cuscuz paulista com sardinha, milho e tomate verde; catuá (um peixe) com ervilhas e ovas de truta: e bochecha com nacos de mandioca e chucrute. O jantar dura umas boas três horas e termina na cobertura, onde o petit four é servido, além de chá, café e digestivo. O chef não vai te olhar feio se você resolver fotografar cada um das etapas. Mas é bom fazer isso rapidinho.

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O retorno do Roadster ao portfólio da Cartier revela uma estratégia que vai além de resgatar um relógio cult dos anos 2000. Ao recolocar em cena um modelo concebido a partir da estética dos automóveis esportivos clássicos, a maison reafirma o valor de uma associação que atravessa décadas: a capacidade de transformar o imaginário do universo automotivo em um ativo de desejo para a alta relojoaria. O mostrador inspirado em velocímetros, a coroa cônica, a lente de aumento que remete a um farol e o desenho aerodinâmico continuam funcionando como códigos reconhecíveis de velocidade, engenharia e sofisticação.
Essa conexão não surgiu por acaso. O Roadster nasceu em 2002 refletindo o fascínio de Louis Cartier pelas inovações dos meios de transporte, especialmente o automóvel, que ajudaram a transformar a percepção do tempo e do design. A própria Cartier construiu parte de sua identidade criando relógios marcantes como o Santos e o Tank, consolidando sua reputação como referência em formas icônicas. Ao reinterpretar o Roadster com mais de cem artesãos envolvidos no desenvolvimento, a marca preserva os elementos que fizeram do modelo um objeto de culto entre colecionadores enquanto atualiza sua ergonomia, suas proporções e sua mecânica para os padrões contemporâneos.
O novo Roadster também evidencia que a linguagem automotiva continua sendo uma ferramenta poderosa para diferenciar produtos de luxo. Em um mercado onde tradição e inovação precisam coexistir, a Cartier demonstra que referências ao desempenho, à precisão e ao design mecânico permanecem capazes de despertar interesse em diferentes gerações. O sistema QuickSwitch para troca de pulseiras, os movimentos automáticos de manufatura própria e a oferta em aço, ouro ou na combinação dos dois materiais reforçam essa proposta de versatilidade. O resultado é um relógio que utiliza o imaginário dos carros clássicos para fortalecer sua identidade e renovar o apelo de um dos modelos mais emblemáticos da maison.

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A chegada da Cadillac ao Brasil revela uma estratégia que vai além da expansão geográfica de uma marca centenária. Ao escolher o país como sua porta de entrada na América do Sul, a fabricante aposta em um mercado de luxo considerado mais maduro e capaz de absorver produtos de alto valor agregado. O movimento acontece em um momento de reposicionamento global da marca e busca redefinir a conversa sobre luxo automotivo, aproximando exclusividade de tecnologia, eletrificação e experiências personalizadas. Em vez de recorrer ao peso de sua história como principal argumento, a Cadillac prefere apresentar sua visão de futuro.
Essa proposta ganha forma com a estreia de um portfólio composto exclusivamente por SUVs elétricos, os modelos OPTIQ, LYRIQ e VISTIQ, desenvolvidos para traduzir um conceito de sofisticação baseado em inovação. Recursos como tela curva de 33 polegadas com resolução 9K, sistema de áudio AKG com 23 alto-falantes, Dolby Atmos, cancelamento ativo de ruído e um ecossistema digital integrado reforçam a intenção de disputar espaço em um segmento cada vez mais orientado pela tecnologia. A estratégia também se estende ao relacionamento com o cliente, por meio de centros de experiência exclusivos em São Paulo, Brasília e Curitiba, substituindo o modelo tradicional de concessionárias por uma jornada alinhada ao universo do alto luxo.
Para o mercado brasileiro, a chegada da Cadillac amplia a concorrência em um segmento que vive transformação acelerada. Segundo dados da Bain & Company citados pela marca, o mercado de luxo brasileiro movimentou cerca de R$ 98 bilhões em 2024 e pode alcançar R$ 150 bilhões até 2030, com aproximadamente R$ 21 bilhões concentrados no setor automotivo. Ao combinar eletrificação, operação dedicada e associação crescente à Fórmula 1, a Cadillac sinaliza uma aposta estruturada e de longo prazo. O resultado tende a elevar o nível da disputa entre as marcas de luxo, deslocando o foco da tradição para a capacidade de oferecer inovação, experiência e diferenciação para um consumidor cada vez mais sofisticado.

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A decisão de abrir temporariamente a Black Pool para todos os hóspedes do Copacabana Palace transforma uma das áreas mais exclusivas do hotel em símbolo de uma rara democratização do luxo. Enquanto a piscina principal passa por obras, a cobertura do sexto andar deixa de ser território reservado aos ocupantes das suítes presidenciais e passa a receber um público muito mais amplo, com direito a novo mobiliário para acomodar os visitantes. A mudança cria uma oportunidade incomum de experimentar um espaço que sempre funcionou como um dos maiores emblemas de exclusividade da hotelaria brasileira.
A Black Pool carrega um peso simbólico construído ao longo de décadas. Em suas bordas, passaram chefes de Estado e celebridades como Gisele Bündchen, Richard Gere, Katy Perry, Shakira, Lady Gaga, Madonna e os integrantes dos Rolling Stones. O então príncipe Charles também utilizou o espaço durante visita ao Brasil nos anos 1990. O acesso sempre restrito ajudou a consolidar a piscina como um endereço reservado a poucos, reforçando o imaginário de que o verdadeiro luxo está justamente naquilo que permanece inacessível para quase todos. “Arrisco dizer que as piscinas do Copacabana Palace são as mais icônicas de todo o país”, diz Ulisses Ulisses Marreiros, o diretor-geral do hotel.
A abertura temporária da cobertura acontece em um momento de transformação histórica do Copacabana Palace. A reforma da piscina principal e do atual Anexo representa o maior investimento já realizado de uma só vez no hotel e marca uma nova fase voltada ao conceito de slow luxury. Ao mesmo tempo, o episódio faz lembrar outras histórias clássicas ligadas às piscinas do Copa. Na principal, Janis Joplin nadou nua nos anos 1970, Maria Lenk ensinou os estilos crawl e borboleta na década de 1930 e Lady Diana preferiu relaxar à vista de todos durante sua visita ao Brasil. Agora, por alguns meses, é a Black Pool que assume o protagonismo, oferecendo aos hóspedes uma experiência normalmente reservada à elite mais exclusiva do hotel.

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Em um mercado em que fragrâncias disputam atenção com campanhas estreladas e lançamentos em ritmo acelerado, o 1872 Masculine, da Clive Christian, reforça a força de uma estratégia oposta. O perfume aposta na tradição e na sofisticação da composição para sustentar sua reputação. Com concentração de 20% de essência e uma fórmula que reúne 219 ingredientes, a criação entrega uma construção olfativa complexa, característica que a marca transformou em assinatura ao longo dos anos.
Classificado como um amadeirado cítrico, o 1872 Masculine combina petitgrain, sálvia esclareia, pimenta-preta, alecrim, noz-moscada, lavanda, pêssego, jasmim, neroli, musk, cedro e olíbano em uma evolução de notas pensada para se revelar gradualmente na pele. A inspiração histórica também faz parte da narrativa do produto. A sálvia faz referência ao uso da erva pelo imperador Nero para energizar suas tropas, enquanto o frasco verde-esmeralda homenageia a antiga Crown Perfumery Company. O nome 1872 recorda o ano em que a rainha Vitória autorizou a empresa a utilizar sua coroa em cada frasco.
A história da Clive Christian ajuda a explicar o posicionamento da marca no topo da perfumaria de luxo. Em 1999, Clive Christian adquiriu a Crown Perfumery Company, fundada em 1872, preservando um legado britânico que permanece representado pela icônica tampa em formato de coroa concedida pela rainha Vitória. A empresa construiu sua identidade sobre perfumes de alta concentração, formulações que podem reunir entre 120 e 300 ingredientes e o compromisso declarado de utilizar apenas matérias-primas de excelência. O resultado é uma coleção que transforma herança histórica e complexidade técnica em um dos principais diferenciais da marca.

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"Aventureiros e larápios", de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr., transforma alguns dos maiores escândalos da história dos mercados financeiros em um retrato das virtudes e dos desvios que moldaram o capitalismo. A obra reúne 15 personagens brasileiros e estrangeiros, de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, a Bernard Madoff, Eike Batista, Elizabeth Holmes, Sam Bankman-Fried e Daniel Vorcaro, mostrando como trajetórias de inovação, ambição e fraude frequentemente caminham lado a lado. O resultado é um panorama que ajuda a compreender por que determinadas crises extrapolam empresas e atingem economias inteiras.
A credibilidade do livro está diretamente ligada à experiência de seus autores. Roberto Teixeira da Costa foi o primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários e acompanha o sistema financeiro desde 1958. Fábio Pahim Jr. construiu carreira como jornalista especializado em finanças no Jornal da Tarde e no Estadão. A dupla, que já havia publicado "Crises financeiras: Brasil e mundo (1929-2023)", reúne casos históricos e contemporâneos para discutir como excesso de ambição, falta de ética, arrogância e visão de curto prazo aparecem de forma recorrente nas grandes derrocadas financeiras. O capítulo dedicado ao Banco Master, incluído pela relevância e atualidade do caso, reforça a intenção de conectar episódios históricos aos desafios recentes do mercado brasileiro.
O mérito de "Aventureiros e larápios" está em ir além da narrativa dos escândalos para extrair lições sobre regulação, fiscalização e governança. Os autores defendem que diversas crises foram agravadas por falhas institucionais e por mecanismos de controle incapazes de acompanhar a criatividade de quem explorava os limites do sistema financeiro. Ao encerrar a obra com um conjunto de aprendizados derivados dos casos apresentados, o livro oferece uma leitura útil tanto para profissionais do mercado quanto para qualquer interessado em entender como grandes fortunas podem ser construídas, destruídas e, em alguns casos, colocar em risco a confiança de todo um sistema.

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Diretora-geral do Grupo Campari no Brasil, Amanda Dias Capucho passou por empresas em diferentes setores até chegar ao comando da empresa que produz o Aperol e a cachaça Sagatiba, entre outras bebidas. Em 25 anos de carreira, ele teve passagens por KPMG, BASF, Nespresso, Café Orfeu, Philips e BRF.
Como você lida com a passagem do tempo?
Eu dividiria minha vida em duas fases: antes e depois de ter filhos. Antes, eu vivia com muita pressa. Estava sempre tentando equilibrar demandas, oportunidades e prazos, quase como se estivesse correndo contra o relógio e equilibrando pratinhos. Com o tempo, e principalmente com os meus filhos, aprendi uma lição valiosa: não adianta lutar contra a maré, precisamos aprender a surfar as ondas e aproveitar cada momento.
Hoje valorizo muito mais o presente. O tempo é, sem dúvida, o meu bem mais precioso. Procuro estar inteira em cada situação, seja no trabalho, com a família ou com os amigos. Busco ser produtiva e eficiente no dia a dia para que sobre o que realmente importa: tempo de qualidade com as pessoas que amo. Para mim, esse é o verdadeiro equilíbrio, e uma das maiores fontes de felicidade.
Qual lição mais dura a vida te ensinou?
Que o estresse muitas vezes é uma escolha e está nas nossas mãos escolher encarar as situações com positividade. Depois de enfrentar um desafio de saúde com meu filho, minha perspectiva mudou completamente. Antes, quando um projeto atrasava, um resultado não vinha como esperado ou uma crise surgia, eu perdia o sono e carregava um peso enorme. Vivia tudo com uma intensidade que beirava o burnout.
Essa experiência me ensinou o que realmente importa e, principalmente, o que está ou não sob nosso controle. Hoje encaro os desafios profissionais com mais serenidade. Isso não significa me importar menos, mas sim direcionar minha energia para aquilo que pode ser feito: entender cenários, encontrar soluções e mobilizar as pessoas certas para avançar.
Aprendi que olhar o copo meio cheio não é ignorar os problemas. É enxergá-los com mais clareza. E quando fazemos isso, conseguimos encontrar caminhos, transmitir confiança para o time e trazer todos para o jogo para, juntos, resolvermos de forma estruturada e ágil.
Qual legado você pretende deixar?
Gostaria de deixar um legado de crescimento e transformação. Claro que me orgulho de contribuir para o crescimento dos negócios, de preferência de forma exponencial. Mas, acima de tudo, quero ser lembrada por ter inspirado e ajudado as pessoas a crescerem, como pessoas e como profissionais.
Acredito profundamente que empresas só se transformam quando as pessoas acreditam na missão, entendem o propósito do que estão fazendo e se sentem capazes de superar desafios. Resultados extraordinários são consequência de pessoas que aprendem, se desenvolvem, se desafiam e descobrem que são capazes de ir além do que imaginavam.
Se eu puder olhar para trás e ver equipes mais fortes, líderes mais preparados e pessoas que cresceram junto comigo nessa jornada, vou sentir que deixei o melhor legado possível.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
A maturidade que veio depois dos 40 anos me trouxe uma perspectiva muito diferente sobre a vida. Hoje consigo olhar para trás e ver o legado que deixei nas empresas e nos times por onde passei, ver meus filhos crescendo e se tornando pessoas incríveis, e reconhecer o quanto evoluí como profissional e como pessoa.
Hoje consigo também equilibrar minha vida profissional e pessoal e ter a autoconfiança e autenticidade de liderar com leveza, propósito, humildade e com visão de longo prazo um time incrível, competente e unido. Isso me faz muito, muito feliz.
Também aprendi que equilíbrio não significa perfeição. Por isso hoje tenho um grau de autocobrança muito menor, consigo estar presente, fazer escolhas conscientes e aceitar que haverá diferentes prioridades em momentos diferentes da vida.
O que você enxerga dos seus pais em você?
Sou muito grata pelos valores que meus pais me transmitiram, principalmente pelo exemplo. Minha mãe sempre me inspirou pela dedicação, criatividade, paixão e carinho com que conduzia seu trabalho e sua vida pessoal. Meu pai me ensinou sobre disciplina, força, coragem, responsabilidade e a capacidade de seguir em frente mesmo diante das dificuldades.
Com eles aprendi aquilo que é inegociável para mim: caráter, respeito pelas pessoas, trabalho duro e resiliência. Também aprendi que força e sensibilidade não são opostos, elas se complementam.
Talvez uma das lições mais importantes tenha vindo da minha mãe: a de que vida profissional e vida pessoal não precisam competir entre si. Elas fazem parte da mesma jornada. Nem sempre existe um equilíbrio perfeito, mas existe a possibilidade de viver tudo com mais leveza, presença e autenticidade.

A Prior Society nasce com a ambicao de reunir, em um so circulo, os lideres que moldam o presente e desenham o futuro do mercado. Uma comunidade cuidadosamente curada por mim, onde o verdadeiro valor esta no encontro entre pessoas extraordinarias, experiencias memoraveis e conversas que simplesmente nao acontecem em nenhum outro lugar.
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