Prior Society ##50

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NA EDIÇÃO 50 VOCÊ ENCONTRA:

Mission to The Moon 1969: nova collab certeira da Omega com a Swatch
Novo chef do Tangará vai deixar o restaurante em alta novamente?
Por que você precisa ter um artigo de couro da Montblanc
O grupo Damiani ameaça o reinado da LVMH, da Kering e da Richemont?
Galloway traduz o luxo sem excessos
Livro expõe o outro lado da revolução da IA
Firechat com Regina Pinho de Almeida, fundadora do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e da Casa de Cultura do Parque

Forte abraco,

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Fundador da Prior Society

RELÓGIOS 1

RELÓGIOS

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MISSION TO THE MOON 1969: NOVA COLLAB CERTEIRA DA OMEGA COM A SWATCH

É mais uma collab do mundo da relojoaria que tem tudo para dar o que falar. Com o sucesso estrondoso do primeiro MoonSwatch ainda fresco na memória, lançado em conjunto pelas duas em 2022, a OMEGA voltou a se unir à Swatch. O resultado, dessa vez, é o MISSION TO THE MOON 1969. A novidade aposta em uma fórmula que combina escassez, apelo histórico e preço surpreendente para colocar novamente a colaboração no centro das conversas entre colecionadores e entusiastas. A estratégia chega pouco tempo depois do sucesso da collab entre Swatch e Audemars Piguet, iniciativa que ajudou a rejuvenescer o público da tradicional relojoeira suíça e levou ambas as marcas aos holofotes, reforçando como esse modelo de parceria se tornou uma poderosa ferramenta de marketing para o mercado de luxo.

Limitado a apenas 1.969 exemplares numerados, o novo relógio presta homenagem ao pouso da Apollo 11 na Lua em 1969. A caixa em Bioceramic preta fosca abriga um mostrador, ponteiros, coroa e botões produzidos em ouro 18 quilates Moonshine Gold, totalizando 11 gramas do metal. Esse ouro foi obtido a partir da fusão de peças excedentes da OMEGA fabricadas em 1969, reforçando o vínculo histórico entre as duas marcas. O acabamento inclui mostrador escovado verticalmente, bezel em Bioceramic com taquímetro dourado, índices aplicados com acabamento em verniz preto e pulseira de borracha preta com fechamento em Velcro.

Outro detalhe que chama atenção é a política de venda. O relógio custa US$ 570, valor calculado com base na cotação do ouro em 21 de julho de 1969, data do histórico pouso lunar, e só pode ser adquirido mediante aprovação em uma inscrição eletrônica da marca (termina no dia 21 de julho!). A combinação entre produção extremamente limitada, narrativa histórica e acesso controlado transforma o lançamento em um dos MoonSwatch mais desejados até hoje. É uma demonstração de como a Swatch continua aperfeiçoando a arte de democratizar símbolos da alta relojoaria sem abrir mão da exclusividade que alimenta o desejo dos consumidores.


GASTRONOMIA 1

GASTRONOMIA

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NOVO CHEF DO TANGARÁ VAI DEIXAR O RESTAURANTE EM ALTA NOVAMENTE?

Ligado a um chef de peso, o francês Jean-Georges Vongerichten, o principal restaurante do Palácio Tangará fez grande barulho na época da inauguração, em 2017. No ano seguinte, o empreendimento (o nome completo é Tangará Jean-Georges) ganhou uma merecida estrela Michelin, mantida até hoje. De lá para cá, porém, o restaurante foi saindo, pouco a pouco, dos holofotes. A localização do hotel, única propriedade da Oetker Hotels na América Latina, é sempre um desafio, assim como a quase completa ausência de Jean-Georges Vongerichten. Este raramente aparece porque está associado a nada menos do que 40 restaurantes ao redor do mundo. Dividir-se para dar atenção a todos eles deve ser mais difícil do que segurar as 2 estrelas que ele mantém em Nova York. 

Recém-empossado novo chef-executivo do Palácio Tangará, André Mendes tem a missão de evitar que o Tangará Jean-Georges caia no esquecimento. “Mais do que trocar pratos, meu objetivo é evoluir a experiência gastronômica como um todo, criando uma cozinha com personalidade, consistência e memória”, ele disse à Prior Society. “Tenho uma grande influência das cozinhas espanhola e portuguesa, principalmente na forma de trabalhar peixes, frutos do mar, caldos, molhos e combinações de sabores. Quero unir essa base técnica com os ingredientes brasileiros, criando pratos que tenham identidade, equilíbrio e uma leitura contemporânea”. 

Que o Tangará Jean-Georges é um baita restaurante não há dúvidas. No ano passado, o chef francês esteve aqui para renovar o cardápio. O menu degustação chamado de premium, a R$ 1.080 por cabeça, inclui maravilhas como sanduichinho de gema entre duas lâminas de brioche com caviar siberiano; peito de pato com purê de laranja e batata glaceada; e wagyu grelhado com crocante de gorgonzola, purê de peras, jus de carne e mix de folhas. Esses pratos também são servidos à la carte, assim como o agnolotti de abóbora e amaretti (R$ 170), o robalo com especiarias (R$ 227) e o camarão rosa "a la plancha" (R$ 244).


MODA 1

MODA

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POR QUE VOCÊ PRECISA TER UM ARTIGO DE COURO DA MONTBLANC

Durante décadas, a Montblanc construiu sua reputação como uma das grandes referências mundiais em instrumentos de escrita. Mas foi no couro que a maison conseguiu ampliar sua presença no universo do luxo. Ao celebrar os 100 anos dessa categoria durante a Semana de Moda Masculina de Milão, a marca deixou claro por que seus artigos se tornaram objetos de desejo. O percurso começou em 1926, quando criou estojos para proteger canetas de viajantes em uma época marcada pela expansão da mobilidade. Um século depois, a mesma tradição evoluiu para uma coleção completa de bolsas, mochilas e acessórios que traduzem excelência em artesanato, design e sofisticação.

A força da Montblanc nesse segmento está na capacidade de transformar sua herança em inovação contínua. Sob a direção artística de Marco Tomasetta, as coleções passaram a unir a cultura da escrita à expertise em marroquinaria, preservando a identidade da marca enquanto incorporam novas linguagens de design. O showroom criado em Milão reforçou essa narrativa ao apresentar instalações imersivas, demonstrações de artesanato ao vivo e espaços que revelavam o cuidado dedicado a cada peça, evidenciando que os artigos de couro carregam a mesma atenção aos detalhes que consagrou a maison em outras categorias.

Ter um artigo de couro da Montblanc significa adquirir um objeto concebido para acompanhar seu proprietário por muitos anos. Essa filosofia aparece em linhas como Writing Traveler, Soft Traveler, Atlas e Art of the Desk, que combinam funcionalidade, materiais refinados e uma estética contemporânea marcada por novas texturas, formas e cores. Ao transformar uma necessidade prática em um símbolo de estilo e longevidade, a Montblanc consolidou um século de protagonismo em couro e mostrou por que permanece entre as principais referências globais desse mercado.


MODA 1

MODA

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O GRUPO DAMIANI AMEAÇA O REINADO DA LVMH, DA KERING E DA RICHEMONT?

Em um mercado dominado por três gigantes, LVMH, Kering e Richemont, a italiana Damiani decidiu seguir um caminho próprio para disputar espaço com eles. Fundada em 1924 e ainda controlada integralmente pela família fundadora, a companhia aposta em crescimento por aquisições, expansão internacional e fortalecimento de um portfólio multimarca para construir um conglomerado independente. A estratégia ganhou força após a saída da Bolsa de Milão, em 2019, quando a empresa passou a operar com um plano de longo prazo focado em ampliar sua presença global.

A principal evidência desse movimento é a recente compra da Baume & Mercier, tradicional relojoaria suíça fundada em 1830 e que pertencia à Richemont. A aquisição representa um ponto de inflexão para o grupo italiano, que incorpora uma marca com forte presença internacional e amplia sua atuação na relojoaria de luxo, segmento em que ainda tinha participação limitada. A operação também reforça a estratégia de aproveitar a experiência da rede Rocca na distribuição multimarca e, no futuro, expandir a presença da Baume & Mercier por meio de boutiques dedicadas.

O resultado é um grupo que reúne joalheria, relojoaria, vidro artístico e distribuição de artigos de luxo em uma estrutura que remete, em menor escala, ao modelo dos grandes conglomerados europeus. A diferença, segundo a própria Damiani, está na preservação da gestão familiar e na independência da companhia, que nunca aceitou ser incorporada por um dos gigantes do setor. Com um portfólio em expansão e novas aquisições estratégicas, a empresa italiana deixa claro que pretende disputar protagonismo. LVMH, Kering e Richemont que se cuidem.


PERFUMES 1

PERFUMES

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GALLOWAY TRADUZ O LUXO SEM EXCESSOS

Em um mercado de perfumes de nicho cada vez mais disputado, a Parfums de Marly construiu sua identidade ao unir a tradição da perfumaria francesa a uma leitura contemporânea do luxo. Inspirada no Château de Marly e no espírito de liberdade associado à corte francesa do século XVIII, a maison criada por Julien Sprecher aposta em fragrâncias que desafiam convenções e valorizam a individualidade. Daí o propósito da marca, que combina criatividade sem restrições, matérias-primas raras e inovação olfativa para criar perfumes complexos, harmoniosos e marcantes.

A marca destaca a seleção de ingredientes de alta qualidade, o uso de moléculas de última geração e práticas voltadas à sustentabilidade, como a adoção de insumos provenientes de upcycling e química verde. A proposta é preservar a tradição da alta perfumaria francesa enquanto incorpora tecnologias capazes de intensificar a projeção e a sofisticação das fragrâncias. Esse equilíbrio entre herança e inovação ajuda a explicar por que a Parfums de Marly conquistou espaço entre as grifes mais desejadas do segmento de luxo.

Entre seus destaques está o Galloway, uma fragrância que sintetiza essa filosofia com uma composição elegante e luminosa. O perfume abre com notas vibrantes de limão combinadas a uma refrescância envolvente, evoluindo para uma base quente de ambrox e almíscares. A marca define a criação como elegante, pura e radiante, características que fazem do Galloway uma escolha para quem busca sofisticação sem recorrer a acordes excessivamente intensos. Produzido na França, o perfume reforça a capacidade da Parfums de Marly de transformar referências históricas em fragrâncias perfeitamente alinhadas ao gosto contemporâneo.


VALE O SEU TEMPO 1

VALE O SEU TEMPO

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LIVRO EXPÕE O OUTRO LADO DA REVOLUÇÃO DA IA

Ok, a inteligência artificial está redefinindo a economia, os negócios e a dinâmica da sociedade. Diante disso tudo, O império da IA, da jornalista americana Karen Hao, surge como uma leitura indispensável para compreender as forças que moldam essas transformações. Lançado originalmente nos Estados Unidos e rapidamente alçado à lista de mais vendidos do The New York Times, o livro investiga os bastidores da OpenAI e mostra como a corrida pela liderança em IA extrapola a inovação tecnológica para se tornar uma disputa por influência, recursos e poder.

Escrito em linguagem fluida e no formato de uma grande reportagem, o livro reconstrói a trajetória da OpenAI desde sua fundação, em 2015, quando Elon Musk, Sam Altman e outros idealizadores defendiam uma organização sem fins lucrativos comprometida em desenvolver a inteligência artificial de forma segura e aberta. Com base em cerca de 260 entrevistas e um amplo conjunto de documentos reunidos ao longo de sete anos de cobertura, Karen Hao argumenta que esse projeto original acabou cedendo espaço a uma estratégia comercial agressiva, impulsionada pela disputa entre as gigantes do Vale do Silício.

O grande mérito de O império da IA está em ampliar o debate para além da tecnologia. A autora examina os custos humanos e ambientais da expansão da inteligência artificial, abordando o consumo de recursos naturais, a dependência de infraestrutura computacional e as condições de trabalho de profissionais responsáveis pela moderação e preparação de dados em países do Sul Global. Sem abrir mão do rigor investigativo, Karen Hao encerra a obra defendendo que o futuro da IA ainda pode ser conduzido em benefício da sociedade, desde que o avanço tecnológico seja acompanhado por responsabilidade e participação coletiva. É uma análise relevante para quem deseja entender não apenas o presente da inteligência artificial, mas também os desafios que definirão sua próxima etapa.


Regina Pinho de Almeida

FIRE CHAT

- COM -

Regina Pinho de Almeida

Empresária, Regina Pinho de Almeida é fundadora do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e da Casa de Cultura do Parque, além de colecionadora de arte contemporânea latino-americana. 

Como você lida com a passagem do tempo?
Convivemos com diferentes escalas de tempo. Há o tempo do universo, diante do qual uma vida humana é apenas um instante. Há o tempo da humanidade, em que cada geração acrescenta um pequeno capítulo a uma história muito maior. E há o nosso próprio tempo: algumas décadas para construir relações, realizar projetos, formar uma família e dar significado à nossa existência.

Acho curioso que o tempo seja, ao mesmo tempo, tão concreto e tão abstrato. Nós o medimos com enorme precisão, mas só percebemos sua passagem pelos sinais que ela deixa: um aniversário, uma fotografia, o espelho, o crescimento dos filhos ou o reencontro com um velho amigo. Talvez seja por isso que os seres humanos criem tantos rituais para marcar o tempo: eles tornam consciente uma transformação que, de tão contínua, quase se torna invisível.

Aceito a história que construí e as escolhas que fiz, procurando compreendê-las e seguir construindo uma trajetória coerente com os valores que me trouxeram até aqui. Não escolhemos a escala do tempo em que existimos. Mas podemos escolher o significado da passagem que deixam.

Qual lição mais dura a vida te ensinou?
Com o tempo, descobri que o verdadeiro limite não é só a finitude do tempo, mas também o das nossas próprias capacidades. Nem tudo depende de vontade. Excelência exige talento, disciplina, renúncia e humildade. 

Por um período, achei que poderia ser escritora. Me fascinava criar universos, construir narrativas e levar o leitor a outras realidades. Mas, com o tempo, percebi que minha admiração pelos grandes autores era maior do que uma vocação real para seguir esse caminho. Foi uma constatação difícil, porque significava abrir mão de uma identidade que eu havia imaginado para mim.

Hoje vejo isso não como uma derrota, mas como um processo de autoconhecimento. Crescer também é abrir mão do que imaginamos ser para dar espaço ao que podemos nos tornar. Talvez essa seja uma das lições mais duras da vida: maturidade não é realizar todos os sonhos da juventude, mas ter a lucidez de reconhecer quais são realmente os nossos e seguir em outra direção.

Qual legado você pretende deixar?
Antes de tudo, eu acredito no acaso. Há quem veja a vida como um destino já traçado, um papel definido para cada um de nós. Eu acho essa ideia até reconfortante, mas perguntas como quem somos, por que estamos aqui e o que dá sentido à nossa existência sempre me acompanharam.

Para mim, a vida não se sustenta só nas coisas fundamentais (trabalhar, formar uma família, viver o dia a dia) se não houver algo que organize isso internamente, que dê coerência ao que fazemos. Por isso, eu vejo o legado não como reconhecimento, mas como essa necessidade muito humana de dar sentido à própria existência.

Foi essa inquietação que me levou a criar e manter o ICCo e a Casa de Cultura do Parque. Em um país tão desigual, eu acredito muito na cultura como uma força capaz de transformar realidades, ampliar oportunidades, fortalecer vínculos e ampliar a participação cidadã.

E, no fim, se esse trabalho puder deixar algum legado, espero que seja mostrar que iniciativas movidas por convicção podem gerar valor, inspirar outras e reforçar que transformar realidades é uma responsabilidade compartilhada.

Qual foi a época mais feliz da sua vida?
Certamente, a época mais feliz da minha vida foi a infância. Naquele tempo, não me perguntava qual era o significado da vida; simplesmente a vivia. A inocência nos permite viver o mundo em sua plenitude. A maturidade, por outro lado, traz perguntas e respostas para muitas das incertezas da adolescência, mas também a consciência dos nossos limites e de que nem todas as possibilidades cabem no tempo de uma vida. É essa descoberta que desperta em nós a busca por um propósito. E talvez a maior felicidade esteja mesmo em, ao fim da jornada, perceber que fomos capazes de cumprir a missão que escolhemos. Essa seria a verdadeira gratificação de uma existência vivida com sentido.

Que você enxerga dos seus pais em você?
Vejo em mim, por óbvio, o mesmo gosto pela arte e o reconhecimento de sua importância no cotidiano que encontrei em meus pais. Mas admirar qualidades não significa conseguir possuí-las, como a elegância aristocrática de modos de minha mãe, tão contraposta à minha descontração nata. 

Mas talvez o que mais reconheça e agradeça por compartilhar seja o respeito pelos valores humanistas tão presentes na trajetória da família de meu pai, e ainda, de minha avó materna, alguém cujo olhar profundamente empático e solidário, avesso a preconceitos e cerimônias, quem melhor trazia essa postura à vida, não como uma ideia abstrata, mas na prática diária, enxergando no outro a dignidade antes do rótulo, da origem ou da posição social.

Em uma sociedade tão desigual quanto a nossa, qualquer sensibilidade às desigualdades ou questionamento das hierarquias ainda pode ser visto com certo estranhamento. Meu pai, por exemplo, grande agropecuarista, era jocosamente chamado pelos amigos de… comunista! Pelo que vejo, segue em mim também esse entendimento.


Prior Society

A Prior Society nasce com a ambicao de reunir, em um so circulo, os lideres que moldam o presente e desenham o futuro do mercado. Uma comunidade cuidadosamente curada por mim, onde o verdadeiro valor esta no encontro entre pessoas extraordinarias, experiencias memoraveis e conversas que simplesmente nao acontecem em nenhum outro lugar.

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