FIRE CHAT

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Gabriel Fullen
Sócio e CEO do Grupo Locale, lidera mais de 13 operações em São Paulo e Porto Alegre, incluindo marcas como Oguru, Locale Caffè e Trattoria, Exímia e o modelo express de sushi GO, no JK Iguatemi. Sua trajetória começou na área corporativa, passando por empresas como Groupon, BRMalls e Michael Page, onde conduziu mais de mil entrevistas com executivos de alto nível.
Como você lida com a passagem do tempo?
Com muito mais intenção do que antes. Nunca fui de postergar o que precisa ser feito, mas por muito tempo vivi no piloto automático: fazia porque tinha que ser feito, sem estar de verdade conectado ao que estava acontecendo. Hoje é diferente. Depois que as crianças nasceram, a minha relação com o "agora" mudou completamente. O tempo passou a ser algo que eu sinto, não só que eu administro. Como todo mundo avisa: "aproveita, porque eles crescem rápido." E é exatamente assim. Então fiz uma escolha: me entregar de corpo e alma para cada momento que estou vivendo. Tento estar totalmente presente: em cada reunião, em cada brincadeira com meus filhos, em cada conversa com a minha mulher. E por incrível que pareça, isso me fez ganhar tempo.
Qual lição mais dura que a vida te ensinou?
Que errar faz parte do caminho, mas desistir não é uma opção. No começo da minha carreira e da minha jornada empreendedora, eu acreditava que precisava acertar mais. Com o tempo, percebi que o crescimento vem justamente dos erros, desde que você tenha humildade para aprender (rapidamente) com eles e coragem para continuar tentando. E com isso nasceu a minha resiliência, que não nasceria das minhas vitórias, mas sim dos momentos difíceis que tive que encarar. Cada desafio superado aumenta sua confiança, porque você passa a entender que é capaz de encontrar soluções mesmo quando as coisas não saem como planejado. Negócios podem crescer, mercados podem mudar e oportunidades podem aparecer, mas caráter, ética e princípios precisam permanecer intactos. No longo prazo, são eles que sustentam qualquer relação de parceria com patrocinadores, amigos, colegas, com qualquer um.
Qual legado você pretende deixar?
Tenho muito orgulho dos restaurantes, das marcas e dos negócios que construímos, mas acredito que o verdadeiro legado está na forma como impactamos as pessoas ao nosso redor. Ser lembrado por ter ajudado no desenvolvimento de centenas de profissionais, criado oportunidades e mostrado que é possível crescer sem abrir mão dos valores já é, por si só, uma das maiores fontes de satisfação da minha vida. E isso me deixa especialmente feliz por ainda estar relativamente no início da minha trajetória empreendedora. Se eu conseguir inspirar outros empreendedores a construir negócios sólidos, humanos e sustentáveis, já considerarei isso uma grande conquista. Quero que meus filhos cresçam entendendo que a característica mais valiosa que uma pessoa pode ter é o caráter. Que sejam pessoas do bem, íntegras, de palavra, confiáveis e presentes quando alguém precisar delas. Que aprendam a honrar seus compromissos, a respeitar as pessoas e a se dedicar verdadeiramente àquilo que escolherem fazer.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
Sem dúvida, a época mais feliz da minha vida é a que estou vivendo agora. Não porque tudo seja perfeito. Pelo contrário. Hoje tenho mais responsabilidades, mais desafios e mais pressão do que em qualquer outro momento da minha trajetória. Mas também tenho algo que levei muitos anos para construir: equilíbrio entre as diferentes áreas da minha vida. Talvez a maior diferença em relação ao passado seja a perspectiva. Quando somos mais jovens, muitas vezes acreditamos que a felicidade está na próxima conquista. Hoje tenho plena certeza de que é como vivemos o presente. Continuo com minhas metas e sonhos. Mas aprendi que nenhuma conquista faz sentido se você não tiver bem consigo mesmo e tendo com quem compartilhá-la. Para mim, felicidade é justamente isso: construir algo relevante durante o dia e voltar para casa sabendo exatamente por que e por quem você está fazendo tudo isso.
Que você enxerga dos seus pais em você?
Do meu pai herdei a disciplina, a dedicação ao trabalho e o senso de responsabilidade. Mas, acima de tudo, a presença. Tenho lembranças muito fortes dele acompanhando momentos importantes da minha vida, seja em jogos de basquete, apresentações de natação ou outras ocasiões que eram importantes para mim. Ele me ensinou, pelo exemplo, que estar presente vale mais do que qualquer discurso. Também aprendi com ele a importância do caráter, da honestidade e de fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está olhando. Da minha mãe herdei o lado mais humano. Foi ela quem me ensinou a cuidar, ser gentil, educado e respeitoso. Cresci ouvindo que devemos fazer o bem sempre que possível e jamais prejudicar alguém. Ela também teve um papel muito importante na minha formação espiritual, me ensinando valores que até hoje servem como guia para as minhas decisões e também sobre como apreciar a natureza e a paz que isso pode trazer.

Amanda Dias Capucho
Firechat com Amanda Dias Capucho, diretora-geral do Grupo Campari no Brasil
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