FIRE CHAT

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Humberto Munhoz
É sócio-diretor do Grupo 3T, do qual é um dos fundadores. Com marcas como O Pasquim Bar e Prosa, A Saideira e Empanadas Y Tal, a holding de bares e restaurantes tem lojas de rua e atuação em aeroportos num total de 30 unidades.
Como você lida com a passagem do tempo?
No início da minha carreira, eu media o sucesso pela velocidade: crescer mais rápido, abrir novos negócios e aproveitar todas as oportunidades que apareciam. Com o tempo, percebi que maturidade é aprender a escolher. Nem toda oportunidade merece um “sim”, e nem todo crescimento precisa ser imediato. Continuo extremamente ambicioso, mas entendi que a verdadeira construção acontece no longo prazo. Por isso, passei a cuidar do meu principal ativo: eu mesmo. Procuro manter uma rotina disciplinada de exercícios, pratico esportes, acompanho minha saúde de forma preventiva e busco manter o equilíbrio entre espírito, corpo e mente. Não porque quero apenas viver mais, mas porque quero viver melhor.
Qual lição mais dura a vida te ensinou?
Que pessoas importam mais do que planos. Ao longo da minha trajetória, tive diversos sócios em diferentes negócios. Cada sociedade tinha um propósito, um momento e uma dinâmica própria. Com o tempo, percebi que abrir uma empresa é relativamente simples; difícil é construir uma relação de confiança que resista aos anos. Infelizmente, nem sempre as pessoas mantêm os mesmos compromissos, prioridades ou valores que tinham quando a sociedade começou. Essa foi uma das lições mais duras da minha carreira e me tornou muito mais criterioso na escolha de quem caminha ao meu lado.
Qual legado você pretende deixar?
Espero deixar a certeza de que é possível construir grandes empresas sem abrir mão dos valores. Minha trajetória foi construída sem investidores, sem franquias e sem atalhos. Tudo o que conquistamos nasceu de muito trabalho, aprendizado e da disposição de evoluir continuamente. Se eu puder inspirar pequenos e médios empreendedores a profissionalizar seus negócios, liderar com mais humanidade e construir empresas sólidas, acredito que já terei cumprido uma parte importante da minha missão. Sempre acreditei que somos nós, empreendedores, que movemos o Brasil de verdade. Somos nós que geramos empregos, transformamos comunidades e fazemos o país acontecer todos os dias.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
A que estou vivendo agora. Não porque tudo esteja perfeito (quem empreende sabe que os desafios nunca acabam), mas porque hoje entendo algo que demorei muitos anos para aprender: o passado já foi, o futuro é uma construção, mas a vida acontece no presente. Durante muito tempo vivi focado no próximo objetivo, na próxima expansão e na próxima conquista. Isso faz parte de quem eu sou e continuo gostando de construir. A diferença é que hoje procuro fazer isso sem abrir mão da caminhada.
O que você enxerga dos seus pais em você?
Minha mãe me ensinou o valor da disciplina, da responsabilidade e do trabalho silencioso. Filha de imigrantes italianos, começou a trabalhar ainda muito jovem, pagou a própria faculdade e dedicou toda a sua carreira à mesma empresa. Nos momentos mais difíceis da nossa família, foi ela quem deu estabilidade para que eu e minha irmã nunca sentíssemos o peso das dificuldades.
Do meu pai herdei a paixão pelas vendas e pelo relacionamento com as pessoas. Cresci vendo um vendedor nato negociar com uma naturalidade impressionante, sem imaginar que aquela seria a minha primeira escola de negócios. Também aprendi com ele que empreender exige coragem para recomeçar. Ele tentou, quebrou, se reinventou e nunca deixou que os tropeços definissem a sua história.
Mas talvez o maior legado que eles tenham me deixado tenha sido a combinação entre ambição e simplicidade. Aprendi que é possível sonhar grande sem perder a humildade, construir patrimônio sem depender dele para ser feliz e conquistar sucesso sem abrir mão da honestidade, da justiça e do respeito pelas pessoas.






