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O LUXO DA CHARVET DISPENSA ALARDE

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O LUXO DA CHARVET DISPENSA ALARDE

Em um momento de expansão global da moda masculina, a parisiense Charvet se apresenta como uma anomalia sofisticada. Fundada em 1838 por Joseph-Christophe Charvet, no número 28 da Place Vendôme, a marca atravessou quase dois séculos sem ceder às lógicas tradicionais de crescimento. Sem campanhas publicitárias, sem e-commerce e avessa a logotipos ostensivos, construiu um prestígio silencioso que hoje ajuda a explicar o próprio avanço do setor, projetado para alcançar US$ 61,1 bilhões até 2035.

O frisson recente em torno da camisaria mais antiga do mundo foi catalisado por um movimento raro em sua história. Em outubro de 2025, a Chanel levou à passarela peças com tecidos e técnicas Charvet, em um gesto que reverenciava Coco Chanel e sua ligação histórica com a maison. A repercussão foi imediata, com espaço em publicações como The New York Times e Vanity Fair, além de forte presença nas redes sociais. De repente, uma marca conhecida pela discrição passou a despertar curiosidade em um público mais amplo, incluindo mulheres e jovens profissionais da tecnologia, sem comprometer sua aura de exclusividade.

Esse equilíbrio entre tradição e renovação é sustentado por um ritual de consumo que desafia o imediatismo contemporâneo. Comprar uma camisa Charvet exige presença física, múltiplas provas e até seis semanas de espera. Em troca, o cliente tem acesso a cerca de 6 mil tecidos e um nível de personalização que considera até o uso de relógio no pulso. Com preços que podem ultrapassar € 1,5 mil sob medida, a marca mantém sua relevância justamente por não tentar agradar a todos. Em um mercado cada vez mais barulhento, a Charvet prova que o verdadeiro luxo ainda reside naquilo que poucos conseguem acessar.