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JOÃO ADAS
CEO da Cia. Tradicional do Comércio, ou CiaTC, dona da rede Astor e de uma porção de outras, como Bráz e Pirajá, Adas assumiu o cargo em dezembro de 2020. Entrou na empresa como chief financial officer (CFO), em 2018, e virou chief administrative officer (CAO) no ano seguinte. Também teve passagens por companhias como Cabify, YPO, Via Varejo e Bioserv.
Como você lida com a passagem do tempo?
Busco estar o máximo presente em tudo que faço, com minha família, meus três filhos e na CiaTC. Meu dia a dia é muito dinâmico, com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. E entendo que, se eu tratar tudo no automático, sem dar a atenção que cada momento merece, sem prazer e intenção real, corro o risco de olhar para trás e ver que nada fez sentido. Quero estar com pessoas que gosto, com quem aprendo intensamente, fazendo coisas que me dão prazer. Se isso estiver acontecendo, o tempo pode passar e está tudo certo, estarei com 40, 50, 60 anos e com a sensação de que vivi bem cada fase da minha vida.
Qual lição mais dura que a vida te ensinou?
Tive a perda de um grande amigo há 2,5 anos, num acidente trágico de bicicleta, jovem (38 anos). Foi muito duro pra mim. Aprendi com ele que a vida precisa ser vivida agora. A gente tende a esperar o momento certo, a aprovação dos outros ou condições perfeitas, e muitas vezes esse momento não chega. Mas o tempo passa e as condições mudam a cada fase da vida. Se tem algo que você quer fazer, que te move, faça hoje. Pode ser tarde demais. Viaje com seus amigos. Com sua esposa, com seus filhos e sozinho. Evite procrastinar e perder tempo com bobagens ou coisas fúteis. É isso que ele me ensinou e tento reproduzir para mim mesmo todos os dias.
Qual legado você pretende deixar?
Quero deixar as pessoas que passaram por mim na CiaTC mais preparadas do que quando chegaram. Mais conscientes, com mais capacidade de lidar com gente e, principalmente, melhores líderes de si mesmas e dos outros. Acredito muito em negócios feitos por pessoas, para pessoas, onde elas evoluem como profissionais e como indivíduos. Se isso acontecer, já terá valido a pena. Meus filhos fazem parte disso. Acredito muito na educação como pilar de transformação, na atitude, na integridade e na forma de fazer negócios e se relacionar. Para mim, valeu a pena se eles forem pessoas do bem, capazes de tomar boas decisões e de construir uma vida com boas relações e alegria.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
Tenho duas. A primeira foi um sabático de nove meses viajando com minha esposa logo depois de casar. Foi uma das experiências mais marcantes que tive, com novas culturas, novos países, gastronomias completamente diferentes e uma sensação muito forte de liberdade. A segunda acontece todos os dias: é chegar em casa, abrir a porta e ganhar um abraço verdadeiro dos meus filhos. Isso, para mim, é felicidade de verdade. Meus 3 filhos transformaram minha vida e minha forma de ver o mundo e do porque estou aqui.
O que você enxerga dos seus pais em você?
Do meu pai carrego a ética, seriedade e dedicação com o trabalho. Fazer direito e o certo sempre. Nunca sai de casa para trabalhar mais ou menos, ou para pegar atalhos. E devo muito disso a ele. Da minha mãe carrego o sentimento de liberdade e amor pela família e pelos filhos, e a paixão por estudar. Minha mãe sempre me incentivou a estudar e ser o melhor da sala. E também a ter minha própria vida, independência, e a viajar sempre que possível.






