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Amanda Dias Capucho
Diretora-geral do Grupo Campari no Brasil, Amanda Dias Capucho passou por empresas em diferentes setores até chegar ao comando da empresa que produz o Aperol e a cachaça Sagatiba, entre outras bebidas. Em 25 anos de carreira, ele teve passagens por KPMG, BASF, Nespresso, Café Orfeu, Philips e BRF.
Como você lida com a passagem do tempo?
Eu dividiria minha vida em duas fases: antes e depois de ter filhos. Antes, eu vivia com muita pressa. Estava sempre tentando equilibrar demandas, oportunidades e prazos, quase como se estivesse correndo contra o relógio e equilibrando pratinhos. Com o tempo, e principalmente com os meus filhos, aprendi uma lição valiosa: não adianta lutar contra a maré, precisamos aprender a surfar as ondas e aproveitar cada momento.
Hoje valorizo muito mais o presente. O tempo é, sem dúvida, o meu bem mais precioso. Procuro estar inteira em cada situação, seja no trabalho, com a família ou com os amigos. Busco ser produtiva e eficiente no dia a dia para que sobre o que realmente importa: tempo de qualidade com as pessoas que amo. Para mim, esse é o verdadeiro equilíbrio, e uma das maiores fontes de felicidade.
Qual lição mais dura a vida te ensinou?
Que o estresse muitas vezes é uma escolha e está nas nossas mãos escolher encarar as situações com positividade. Depois de enfrentar um desafio de saúde com meu filho, minha perspectiva mudou completamente. Antes, quando um projeto atrasava, um resultado não vinha como esperado ou uma crise surgia, eu perdia o sono e carregava um peso enorme. Vivia tudo com uma intensidade que beirava o burnout.
Essa experiência me ensinou o que realmente importa e, principalmente, o que está ou não sob nosso controle. Hoje encaro os desafios profissionais com mais serenidade. Isso não significa me importar menos, mas sim direcionar minha energia para aquilo que pode ser feito: entender cenários, encontrar soluções e mobilizar as pessoas certas para avançar.
Aprendi que olhar o copo meio cheio não é ignorar os problemas. É enxergá-los com mais clareza. E quando fazemos isso, conseguimos encontrar caminhos, transmitir confiança para o time e trazer todos para o jogo para, juntos, resolvermos de forma estruturada e ágil.
Qual legado você pretende deixar?
Gostaria de deixar um legado de crescimento e transformação. Claro que me orgulho de contribuir para o crescimento dos negócios, de preferência de forma exponencial. Mas, acima de tudo, quero ser lembrada por ter inspirado e ajudado as pessoas a crescerem, como pessoas e como profissionais.
Acredito profundamente que empresas só se transformam quando as pessoas acreditam na missão, entendem o propósito do que estão fazendo e se sentem capazes de superar desafios. Resultados extraordinários são consequência de pessoas que aprendem, se desenvolvem, se desafiam e descobrem que são capazes de ir além do que imaginavam.
Se eu puder olhar para trás e ver equipes mais fortes, líderes mais preparados e pessoas que cresceram junto comigo nessa jornada, vou sentir que deixei o melhor legado possível.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
A maturidade que veio depois dos 40 anos me trouxe uma perspectiva muito diferente sobre a vida. Hoje consigo olhar para trás e ver o legado que deixei nas empresas e nos times por onde passei, ver meus filhos crescendo e se tornando pessoas incríveis, e reconhecer o quanto evoluí como profissional e como pessoa.
Hoje consigo também equilibrar minha vida profissional e pessoal e ter a autoconfiança e autenticidade de liderar com leveza, propósito, humildade e com visão de longo prazo um time incrível, competente e unido. Isso me faz muito, muito feliz.
Também aprendi que equilíbrio não significa perfeição. Por isso hoje tenho um grau de autocobrança muito menor, consigo estar presente, fazer escolhas conscientes e aceitar que haverá diferentes prioridades em momentos diferentes da vida.
O que você enxerga dos seus pais em você?
Sou muito grata pelos valores que meus pais me transmitiram, principalmente pelo exemplo. Minha mãe sempre me inspirou pela dedicação, criatividade, paixão e carinho com que conduzia seu trabalho e sua vida pessoal. Meu pai me ensinou sobre disciplina, força, coragem, responsabilidade e a capacidade de seguir em frente mesmo diante das dificuldades.
Com eles aprendi aquilo que é inegociável para mim: caráter, respeito pelas pessoas, trabalho duro e resiliência. Também aprendi que força e sensibilidade não são opostos, elas se complementam.
Talvez uma das lições mais importantes tenha vindo da minha mãe: a de que vida profissional e vida pessoal não precisam competir entre si. Elas fazem parte da mesma jornada. Nem sempre existe um equilíbrio perfeito, mas existe a possibilidade de viver tudo com mais leveza, presença e autenticidade.






