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ALULA, O LUXO DO TEMPO ESCULPIDO NO DESERTO

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ALULA, O LUXO DO TEMPO ESCULPIDO NO DESERTO

Poucos destinos no mundo conseguem combinar história milenar, paisagens quase surreais e uma estratégia clara de turismo de alto padrão como AlUla. Antigo entroncamento de civilizações e parte do Reino Nabateu, o oásis saudita abriga formações geológicas monumentais, mais de dois milhões de palmeiras e sítios arqueológicos que ajudam a explicar por que a região se tornou um dos projetos turísticos mais ambiciosos do Oriente Médio. Aberta ao turismo internacional apenas em 2020, AlUla ainda preserva a sensação de descoberta, especialmente nos meses de inverno, quando o clima favorece a exploração ao ar livre.

O principal cartão-postal é Hegra, primeiro Patrimônio Mundial da Unesco do país, com 111 tumbas nabateias talhadas diretamente na rocha, entre elas a icônica tumba de Lihyan, filho de Kuza. A viagem no tempo continua nos túmulos de Dadan e nas inscrições rupestres de Jabal Ikmah, uma espécie de biblioteca a céu aberto gravada nas paredes do cânion. Já no fim do dia, o espetáculo é natural: Elephant Rock, formação de 52 metros moldada pelo vento e pela erosão, ganha tons dramáticos ao pôr do sol, em um dos cenários mais fotografados da região.

A experiência se completa com um contraste bem calculado entre passado e presente. A restaurada AlUla Old Town, habitada do século 12 até os anos 1980, virou um polo de cafés, hotéis-boutique e restaurantes. No outro extremo, a arquitetura contemporânea se impõe em Maraya, o maior edifício espelhado do mundo, palco de grandes concertos e exposições. AlUla não é um destino econômico (o próprio material oficial deixa claro que viajar para lá exige orçamento), mas há alternativas mais acessíveis, como trailers Airstream instalados entre cânions. O preço da exclusividade, aqui, é parte do pacote: trata-se de pagar para acessar um dos poucos lugares do planeta onde o luxo ainda anda lado a lado com o silêncio, a escala monumental e a sensação de território intocado.

@habitasalula