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JÚLIO LABATE
Depois de quase 20 anos na sociedade da Componente Investimentos, da qual foi CEO, ele resolveu se concentrar nas marcas de restaurantes das quais é sócio: Forneria San Paolo, Ristorantino, Lassú e Bottega Bernacca.
Como lida com a passagem do tempo?
Eu procuro me cuidar para mitigar os efeitos desse caminho, dessa trajetória, do tempo passando, do envelhecimento. Procuro cuidar da saúde, da cabeça e do espírito igualmente, porque acho que esses são os três pilares fundamentais para o equilíbrio do ser humano. Outra coisa muito importante é você conseguir se dedicar ao momento presente, se livrar das amarras do passado e entender que é no presente que você resolve o seu futuro, futuro que a gente nunca sabe se vai viver ou não. Então, se você está focado naquilo que está fazendo, com quem está se relacionando, nos problemas que está resolvendo, nas lições que está recebendo, isso é fundamental. É estar dedicado e concentrado naquele momento que você está vivendo, que é o único momento em que você pode interagir e mudar alguma coisa. Você não pode mudar o passado e, para mudar o futuro, tem que plantar agora. Então, acho que isso também é fundamental.
Qual a lição mais dura que a vida te ensinou?
Eu diria que a vida não deixa de ensinar, muitas vezes pela dor ou pelo amor e outras pela dor. É muito complicado falar qual foi o momento mais difícil, mais duro, porque as dificuldades também sempre têm dois lados. Muitas vezes trazem tristeza, luto, uma série de consequências ruins que a gente não quer, mas sempre há um outro lado, que é o legado que fica. Por pior que seja a situação, fica um aprendizado. Você acaba saindo mais experiente e maduro daquela situação, preparado para os novos desafios, que não param de se apresentar. Então, não consigo dizer qual foi o momento, qual foi a lição mais dura, mas a vida me mostrou muita coisa. Hoje sou fruto de todas as experiências positivas e negativas que vivi ao longo desses anos.
Qual o legado que quer deixar?
O legado que eu quero deixar é o legado dos valores, dos princípios, da ética, seriedade, honestidade, resiliência e do trabalho diário. Esse é o legado que eu acho que, de certa forma, você consegue deixar e que as pessoas com quem você se relaciona podem carregar consigo, independentemente da decisão de cada um, para o resto da vida, sem risco de perdê-lo. O legado material, em algum momento, você pode perder. Agora, o de valores, princípios e de honestidade, eu tenho certeza, de que ninguém perde.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
Eu diria que a felicidade mais importante, ou o momento mais feliz, é aquele que você está vivendo. E aí eu volto ao tema de que já falei: poder se conectar com o presente e com as coisas boas que estão acontecendo naquele momento. Tenho o privilégio de ver os filhos formados e seguindo seus caminhos, uma neta linda, uma esposa... Além de profissionalmente estar fazendo o que eu gosto, o que me planejei para fazer.
O que você enxerga dos seus pais em você?
O que eu enxergo claramente que veio dos meus pais, são os valores que eles me deixaram. Não estou falando de valores monetários, me refiro a valores de princípios, ética, luta diária, resiliência, de amor ao que se faz à família e aos amigos. É isso que eu certamente trouxe deles e que construiu a minha vida. Por isso, sou muito grato a eles.






