FIRE CHAT

- FIRE CHAT
PAULO MATOS
Diretor geral da Tommy Hilfiger no Brasil, Paulo Matos trabalha na marca desde 2012. É membro do Conselho de Administração da Inbrands, foi diretor comercial na América Latina da Levi's e gerente comercial da Lacoste.
Como você lida com a passagem do tempo?
Recentemente eu ouvi de um amigo uma analogia da nossa vida que muito me marcou. De forma poética, ele faseava a nossa vida de 4 ciclos de 20 e poucos anos como as estações do ano. Tudo começa na primavera, onde tudo nasce, cresce e floresce, e assim acontece com a gente, são 20 anos de descobertas e aprendizados que nos moldam, da mesma forma que a primavera faz tudo na natureza. Após 20 anos, entramos no verão, onde a gente agita, trabalha, aprende, casa (ou não), não tem hora pra nada e quer tudo ao mesmo tempo.
Passando mais 20 e poucos anos desta agitação toda, entramos no outono, mês da colheita, caem os frutos e inicia um clima mais confortável que te convida a uma reflexão maior. Esses frutos são fundamentais na natureza para que se possa atravessar o inverno, que se encaixa quando chegamos aos 65 anos, além dos frutos (também financeiros) gerados no outono, nós temos as histórias vividas no verão e tempo para poder apreciar nossos netos vivendo a primavera deles.
Qual lição mais dura a vida te ensinou?
Eu sempre tive um perfil mais “empresário” do que de “executivo”, inclusive tive três empresas próprias ao longo da vida. Como a maioria das pessoas, também me comparo a executivos pares e observo aqueles que têm uma habilidade quase “nata” para a liderança. Vejo como essa facilidade os levou a passos importantes na carreira e a uma jornada profissional mais fluida e colaborativa. Quando me auto avalio, vejo que vivo em constante conflito, querendo sempre colocar em prática o que acredito. Talvez, se jogasse mais o jogo corporativo, eu tivesse em outra posição e/ou uma jornada mais suave, mas esse pensamento sempre some quando lembro de tudo que fiz.
Qual legado você pretende deixar?
Entre os amigos e família, quero ser lembrado como o que agita e diverte o ambiente e, profissionalmente, um “cara” que veio para montar um time que faz as coisas porque nós acreditamos. Um mundo corporativo com menos regras e mais ação.
Qual foi a época mais feliz da sua vida?
Se for para mencionar a época de felicidade e não euforia, eu diria que agora no meu outono. A combinação de energia com alguma experiência é gostosa, a gente começa a ir aonde queremos ir e com quem queremos. Sentimos mais tudo ao nosso redor e nos preocupamos menos com as coisas que estão fora do nosso alcance. Sempre achei que eu fosse de verão, mas a verdade é que sou mais feliz no outono.
Que você enxerga dos seus pais em você?
Sou uma mistura meio maluca dos dois: com uma mãe irlandesa que cresceu na Jamaica e um pai português, que se conheceram e se casaram na Inglaterra. Isso tudo nos anos setenta. E, para deixar a história deles ainda mais legal, decidiram desbravar o Brasil sem nenhum contato ou indicação, apenas um emprego de professor para o meu pai na FEI. É o maior exemplo de que a boa execução sobressai a tudo. Os dois, sozinhos, construíram uma família linda, uma rede de amigos incrível e trilharam uma ascensão profissional merecida, daquelas que enchem o coração de orgulho.
A Prior Society nasce com a ambição de reunir, em um só círculo, os líderes que moldam o presente e desenham o futuro do mercado. Uma comunidade cuidadosamente curada por mim, onde o verdadeiro valor está no encontro entre pessoas extraordinárias, experiências memoráveis e conversas que simplesmente não acontecem em nenhum outro lugar.






