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GASTRONOMIA

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OS 40 ANOS DO SATYRICON E O SUCESSO DOS RESTAURANTES “SEM CHEF”

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OS 40 ANOS DO SATYRICON E O SUCESSO DOS RESTAURANTES “SEM CHEF”

O aniversário de 40 anos do Satyricon reforça uma tese que vai na contramão da gastronomia contemporânea. Em uma era em que chefs celebridades costumam concentrar os holofotes, a casa de Ipanema mostra que restaurantes comandados por restaurateurs podem atravessar décadas com uma consistência difícil de alcançar. Desde que chegou ao Rio, em 1986, após nascer em Búzios quatro anos antes, o endereço construiu uma reputação baseada em excelência, sem associar sua identidade a um chef. A gestão permanece nas mãos da família fundadora e segue fiel à ideia de que o restaurante deve ser pensado como um todo. “O sucesso de um restaurante também depende da decoração, do atendimento, dos pratos e dos talheres”, defende Bruno Tolpiakow, um dos donos à frente do negócio. “Daí a importância do restaurateur, que atua como se fosse o diretor de uma peça de teatro, olhando o empreendimento como um todo".

A longevidade ajuda a explicar por que o Satyricon continua sendo referência em peixes e frutos do mar. O balcão de gelo na entrada, abastecido diariamente, tornou-se uma marca registrada, assim como pratos que resistiram à passagem do tempo, entre eles o Trimare, o Marenostrum, o robalo inteiro assado e o pioneiro Pesce naturale al sale grosso. Ao longo de quatro décadas, a casa também apresentou aos cariocas ingredientes como o camarão carabineiro e o camarão tigre, acumulou premiações importantes e consolidou um serviço conhecido pela estabilidade de uma equipe que permanece por décadas no salão.

Essa combinação de tradição, discrição e execução impecável transformou o restaurante em um dos refúgios preferidos da elite carioca e de personalidades brasileiras e internacionais. Ferran Adrià chegou a jantar ali por três dias seguidos quando esteve no Rio, juntando-se a uma lista que inclui Madonna, Ayrton Senna, Gisele Bündchen, Taylor Swift e Rod Stewart. Em um mercado cada vez mais movido por novidades e pela exposição dos chefs, o Satyricon comprova que a figura do restaurateur continua sendo um ativo poderoso para preservar identidade, manter padrões elevados e cultivar uma clientela endinheirada que valoriza justamente o luxo da discrição.