GASTRONOMIA

- GASTRONOMIA
MENOS GIRO, MAIS TEMPO À MESA
No coração do Itaim Bibi, um dos polos gastronômicos mais movimentados da capital paulista, o Madonna Cucina inaugura na contramão da pressa. Aberta em novembro na Rua Pedroso Alvarenga, a casa nasce com uma proposta clara: desacelerar. Com poucos lugares e operação prioritariamente por reservas, o restaurante não busca alto giro, mas permanência. A ideia é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: fazer com que os visitantes estiquem a experiência ao máximo, transformando a refeição em ritual.
A cozinha italiana contemporânea conduz essa narrativa. Longe das porções fartas típicas das cantinas, o cardápio aposta em pratos quase minimalistas, que privilegiam equilíbrio, precisão e profundidade de sabor. Entre as entradas, a lasanha redonda de pato com creme trufado e foie gras (R$ 129) e a croqueta de cebola caramelizada com atum cru e bottarga (R$ 76) sintetizam a proposta autoral. Nos principais, massas como o rigatoni ao cacio e pepe com bottarga (R$ 118) dividem espaço com o cordeiro servido com aligot de mandioquinha e ervas (R$ 198). Para acompanhar, o drinque dolce e nero (R$ 98) combina rum, jerez, vinho branco e caramelo de macadâmia.
O ambiente intimista reforça a estratégia. A cozinha aberta, montada atrás de um balcão com seis lugares, os mais disputados da casa, transforma o preparo em espetáculo silencioso. À frente do projeto está o restaurateur Henrique Rosin Guimarães, fundador do MEET & EAT | Fusion Cuisine, que agora consolida sua trajetória com um endereço que valoriza tempo, constância e construção de memória afetiva. Em vez de causar impacto imediato, o Madonna Cucina quer fidelizar pelo cuidado. E provar que, no mercado premium, permanência pode ser o novo luxo.
@madonnacucina
ARTES
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IMAGEM E MIRAGEM EM MILÃO
Antonio Dias ganha nova leitura em São Paulo com a exposição ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, em cartaz na Gomide & Co até 21 de março. A mostra reúne pinturas realizadas entre 1968 e 1971, durante os primeiros anos do artista em Milão, e marca sua primeira individual na galeria. Organizada em parceria com a Sprovieri, a exposição parte de obras preservadas por Gió Marconi e revisita um momento decisivo da trajetória de Dias, quando sua produção assume contornos mais conceituais, com superfícies austeras, campos monocromáticos e o uso estratégico de palavras e diagramas.
Radicado na Europa após deixar o Brasil em meio à Ditadura Militar, Dias consolidou em Milão uma linguagem que desloca a pintura do campo da representação para o da problematização. As obras desse período sintetizam uma virada: grandes áreas de cor sóbria, estruturas rigorosamente diagramadas e termos isolados operam como comentários auto reflexivos sobre o fazer artístico. Como destaca o curador Gustavo Motta, a pintura passa a funcionar como dispositivo mental (menos interessada na imagem em si do que naquilo que ela sugere ou omite). Não por acaso, esse momento antecipa e dialoga com a emblemática série The Illustration of Art (1971–78).
Além das telas históricas (algumas exibidas na individual inaugural de Dias no Studio Marconi, em 1969, e presentes em ocasiões como a Guggenheim International Exhibition de 1971 e a 34ª Bienal de São Paulo), a exposição apresenta documentação inédita do Fundo Antonio Dias, pertencente ao acervo do Instituto de Arte Contemporânea (IAC). Com organização e texto crítico de Gustavo Motta e expografia de Deyson Gilbert, o projeto propõe uma atualização do debate em torno do artista, reafirmando a potência de uma obra que, ao transformar a pintura em campo de tensão entre palavra, superfície e imaginação, segue ecoando no circuito internacional.
@gomide.co






